quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Rondônia uma História



O Colégio Objetivo trilha seu caminho lado a lado com Rondônia. É comum falar que suas conquistas e desenvolvimento se confundem com as do estado. Há mais de 35 anos, o Grupo vem fomentando a educação e promovendo ações que incentivam a educação e a cultura.

O Objetivo é uma empresa que investe em seus colaboradores, pois acredita que esta é uma das formas de alcançar a excelência no serviço que oferece. “Prata da casa”, o professor Aleks Palitot é exemplo disso. Há 15 anos frente à disciplina de História, ele é reconhecido por suas aulas dinâmicas e irreverentes.

Aleks ficou bastante conhecido na cidade como apresentador, por 8 anos, do programa Trilhando a História, patrocinado pelo Colégio Objetivo onde através das expedições com os alunos da escola, unia aula e entretenimento, demonstrando toda a beleza histórica do estado na telona. Com a parceria do Colégio Objetivo, projetos como Expedição Guaporé, Expedição Amazônia, Expedição Vila Bela, Expedição Machu Picchu, demonstram que a intenção de levar o conteúdo de qualidade aos quatro quantos de forma espontânea, agregando conhecimento e aventura, é uma fórmula que dá certo, pois já são 13 anos de realização desde a primeira expedição que ocorreu em Costa Marques. Ao todo, foram 23 municípios de Rondônia visitados, estudados e desbravados pelos estudantes.


Também com o apoio do Colégio Objetivo o professor Palitot lançará o livro “Rondônia – uma história”. “Nasci em Porto Velho, sou filho de Rondônia e minha família sempre foi envolvida com a história do local em que nasci. Minha tia Antônia Lúcia Palitot foi engenheira ferroviária da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, meu avô foi um dos construtores e mestre de obras importantes em Porto Velho (participou de várias construções como a cúpula da Catedral Sagrado Coração de Jesus e do Palácio Presidente Vargas). Meu pai foi um dos primeiros gráficos e minha mãe foi professora de História e atuou muito tempo na educação local. Então, essa obra ao mesmo tempo traz um pouco desse amor e dessa paixão que tenho pela história do lugar em que vivo”, detalha Aleks.


Ele explica que suas impressões como educador e como historiador também foram ponto de partida para trilhar as páginas do livro. “Lecionando a disciplina de História de Rondônia, sempre utilizei outras ferramentas e obras literárias de historiadores locais, pesquisadores, professores e, adequando à realidade atual e comportamental dos estudantes, fui aprendendo ainda mais ao longo do tempo. Desta forma, encontrei uma maneira de produzir um livro que se adequasse um pouco à minha didática e, ao mesmo tempo, àquilo que entendo ser de vital importância para o aluno aprender em sala de aula. Então o livro, acaba surgindo dessas minhas experiências e também do desejo de deixar um legado, uma contribuição para o estado em que nasci e de uma história que eu gosto muito de ensinar. Fazendo com que as pessoas encontrem a ideia de pertencimento quando se fala de Rondônia”.


Para escrever o livro, Aleks realizou uma profunda pesquisa que se deu a um tempo de 10 anos. “À medida que vamos lecionando em sala de aula, vamos adquirindo um pouco de casca e isso faz com que a gente também entenda o quanto precisa melhorar ainda mais. Então, pesquisamos muito material no Centro de Documentação de Rondônia. Usamos em torno de 80 obras bibliográficas que envolvem a história local. Também como base, pesquisamos muito material de História Regional do professor Marco Teixeira e Dante Fonseca, além de livros do professor Abimael e Yeda Borzacov. Livros de Emanuel Pontes Pinto, Paulo Saldanha, Emanuel Gomes, Amizael Gomes, de historiadores e pessoas que contribuíram muito com a história de Rondônia”, revela.

O acervo de imagens e ilustrações possui destaque na obra do professor. “Esses materiais estão disponíveis tanto no Arquivo Nacional da Biblioteca nacional, no Museu Nacional do Índio, como também no Centro de Documentação do estado. E não posso deixar de citar que através das expedições com os alunos do Objetivo pude coletar materiais mais recentes e são evidenciados no livro”.


Para os apaixonados em História Regional, Aleks deixa escapar quais pontos históricos podem ser encontrados nas páginas de seu livro. “Os mais de 50 mil km, em 8 anos que o Trilhando a História me proporcionou viajar por vários lugares (evidentemente nesses lugares estão os 23 municípios que visitamos), passamos por muitos memoriais, museus, lugares históricos, sítios históricos, oficinas líticas, regiões que fazem parte da história de Rondônia e da Amazônia. Então nós vivenciamos muito de perto as estruturas que correspondem a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, o Forte Príncipe da Beira, as ruínas do Forte Bragança ou Conceição, Antiga Estação Álvaro Vilhena, Museu Regional de Presidente Médici, o Museu Municipal de Ariquemes, o Museu das Comunicações em Ji-Paraná, antiga estação telegráfica Afonso Pena, as oficinas líticas que pude visitar em Rolim de Moura, Santa Luzia, Alta Floresta do Oeste, assim como também muitos lugares históricos em Guajará-Mirim, Nova Mamoré, enfim, esses lugares acabaram dando uma gama e contribuição importantíssima”.


Sobre o apoio do Colégio Objetivo, Aleks ressalta. “A escola me apoiou desde o momento que acreditou no projeto das expedições pedagógicas. A partir dali foi o primeiro passo para começar conhecer de forma mais íntima e intensa a história. Levar os alunos para conhecer o Forte, dar uma aula lá e, às vezes tentar transportar todo esse sentimento e essas vivências para dentro do livro foi sensacional. E o Objetivo, juntamente com outros parceiros que fazem parte desse projeto, foi fundamental nesse aspecto. Também por proporcionar à própria instituição um material de qualidade porque o livro servirá não somente para o aprendizado, quando usado em sala de aula por professores e alunos, mas para concurseiros que encontrarão muita informação nele. A ideia é alcançar vários públicos”.

Quem assume a autoria do prefácio do livro é o escritor e jornalista, Benedicto Domingues Junior. “É impossível ler as páginas a seguir sem ter a convicção de que o narrador é o professor Aleks Palitot. As pausas, as reflexões, a paixão por sua terra, o respeito pelo passado e zelo pelas gerações que herdarão esse legado, estão sempre nos chamando para a próxima página”.

O lançamento do livro será no dia 12 de agosto, a partir das 19h30 no Centro de Educação Executiva da Faculdade Porto/FGV, localizado na Rua Paulo Freire, 4767, bairro Flodoaldo Pontes Pinto.

Assessoria de Comunicação
GRUPO PELLUCIO

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Rondon, o herói do Brasil


Marechal Rondon ao lado de Aluízio Pinheiro Ferreira.
O empenho e a atuação do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, foi fundamental para revelar aos centros “políticos e desenvolvidos” do Brasil uma natureza fantástica, localizada no longínquo mundo amazônico do início do século XX, palco de outras inúmeras aventuras e personagens que desafiaram as adversidades que a floresta impõe aos invasores.
Árvores gigantescas e retorcidas, rios, lagos, cachoeiras, animais, mitos e lendas que descortinaram uma realidade cultural profunda com temperos, aromas exóticos e sedutores quase completamente desconhecidos pelo povo brasileiro.
Enganam-se os que associam à Comissão Rondon somente a construção de uma linha telegráfica entre Cuiabá, capital do Mato Grosso e Santo Antônio das Cachoeiras, localidade até então inconveniente para ocupação humana.
Alguns, ainda seduzidos por pobres polêmicas, buscam diminuir a trajetória de Cândido Rondon focando sua atuação como “matador de índios ou protetor dos índios”. Afirmaria, com toda tranquilidade, que esse é o debate pobre e fútil sobre nosso maior personagem que serve somente para ridicularizar quem o promove. Rondon liderou uma expedição épica, inimaginável, composta por profissionais com grande experiência e várias especialidades que desenvolveram estudos na área da geologia, botânica, cartografia, hidrografia, topografia e geografia, além de estudos sobre as nossas fronteiras, produzindo farto material sobre essa região da Amazônia.
Rondon no topo do Monte Roraima em 1927
A destemida expedição de Cândido Rondon deve, no mínimo, compor o cenário das grandes expedições filosóficas e científicas que percorreram o interior do Brasil e os rios amazônicos a partir do século XVIII. Condamine, Alexandre Rodrigues Ferreira, os austríacos Spix e Martius, o barão de Langsdorf, os ingleses Bates e Wallace, Dr. João Severiano da Fonseca e mais recentemente Claude Lévi Strauss compõem parte dessa galeria de grandes exploradores e pesquisadores.
Rondon foi muito além destes, pois carregava a missão de integrar um território e suas gentes ao restante do Brasil. Foi muito além das questões telegráficas e de fronteiras, dos estudos dos três reinos naturais: a fauna, a flora e o mineral. Rondon foi além das tentativas de integração dos povos que viviam em um mundo abandonado e esquecido na escuridão das florestas chuvosas, quentes e úmidas. Ele levou e representou os valores de uma pátria, carregou em si um Brasil inexistente na maior parte de seus gestos o que havia de melhor em nosso país naquele momento. É tarefa complicada para qualquer historiador encontrar um brasileiro com tamanha envergadura, espírito cívico, disposição e coragem.
Marechal Rondon em acampamento em Vilhena - RO.
Cândido Rondon não se contentou em revelar ao mundo as “Terras de Rondônia” como afirmou Roquete Pinto ou acompanhar o ex-presidente americano Roosevelt em sua expedição a região do atual estado de Rondônia. Ele percorreu a maior parte do território nacional em missões que somente os “homens gigantes” enfrentavam. Por isso, o mesmo se destacou nacionalmente e internacionalmente por suas preocupações com os povos indígenas, que sofriam constantes massacres sem a mínima atuação do Estado em seu socorro. Como criador do Serviço de Proteção ao Índio – SPI em 1910, instituição que se transformou em FUNAI em 1967, Fundação Nacional do Índio, Rondon procurou atuar na proteção e defesa dos povos e culturas indígenas.
Serviço de Proteção ao Índio idealizado por Rondon.
Cândido Rondon é indiscutivelmente o maior sertanista brasileiro de toda nossa história, é esse o foco que deveríamos investigar, pois sua atuação ainda ecoa sobre todos nós que moramos na porção ocidental do Brasil. A maioria dos estudos feitos sobre nosso mais conhecido personagem histórico nos informa sobre sua preocupação em preservar a cultura e as tribos indígenas.
Se houve conflitos, precisamos lembrar que Rondon atuou em uma época onde a cultura existente pregava uma lógica desenvolvimentista que elegia os povos indígenas como inimigos ou empecilho ao desenvolvimento urbano e “civilizado” da época, um período onde era comum crer na máxima: “índio bom é índio morto”. Rondon foi um verdadeiro brasileiro, em suas veias o sangue índio era evidente, sua brasilidade era enraizada ao tempero e ritmo de sua gente, é contra a lógica de genocídio que ele atua e milita. Seu ideal é o de um militar das “grandes causas humanitárias”. Em função dessa realidade, Rondon é um dos poucos personagens “oficiais” da nossa história que realmente merece ser promovido ao panteão de grande herói nacional.

 RONDON, SUA OBRA E HISTÓRIA.
  
Cândido Mariano da Silva Rondon teve sua origem humilde. Filho de um tratador de animais, descendendo de espanhóis e índios terenas, de bandeirante, e bororos, agigantando-se em nossa história, destacando-se como militar, pacificador, cientista, construtor de estradas, de linhas telegráficas e inúmeros outros serviços prestados ao País. Rondon constituiu-se um símbolo da vontade humana, norteado pela religião que abraçou, baseada no amor à humanidade, tendo como seu lema: “morrer se preciso for, matar nunca”.
Marechal Rondon quando criança em Mimoso.
Nasceu Cândido Mariano da Silva Rondon a 5 de maio de 1865 na Sesmaria de Morro Redondo, nos Campos de Dourados, Estado do Mato Grosso, filho de Cândido Mariano da Silva e de sua esposa Dona Claudina Evangelista. Anos depois de seu nascimento acrescentou ao seu nome o sobrenome de seu tio e padrinho, Manuel Rondon, com a devida autorização do Ministério da Guerra.
Graças a seu esforço e à sua capacidade nos estudos, o jovem natural de Campos de Mimoso, aos sete anos foi conduzido pelo tio a Cuiabá, iniciando seus estudos no Liceu Cuiabano e, já aos dezesseis anos, conseguiu um lugar de Professor do Ensino Primário na mesma instituição de ensino. Porém, seu espírito inquieto desejava maior dinâmica, o moço tinha vontade de ingressar na carreira militar e eis que em 26 de novembro de 1881 integrou-se no 3° Regimento de Artilharia à Cavalo e logo a seguir passou a frequentar a Escola Superior de Guerra, na Capital Federal. Figurou desde logo nos quadros de honra da Escola e pelo seu valor, já como 2° Tenente foi convidado para ministrar, na própria Escola, as cadeiras de Astronomia e Mecânica Racional.
Academia Militar Imperial onde estudou Rondon - RJ
Rondon, a exemplo de uma lista imensa de outros sertanistas, demonstrou incrível coragem e determinação ao atuar em regiões tão inóspitas no interior do Brasil, deve ser citado ao lado de Antônio Rolim de Moura Tavares, primeiro governante da Capitania do Mato Grosso. Domingos Sambucet, Engenheiro que iniciou as obras do Real Forte Príncipe da Beira e faleceu de malária. Ricardo Franco de Almeida Serra, Engenheiro que trabalhou no Real Forte Príncipe da Beira após o falecimento de Sambucet. Francisco de Melo Palheta, bandeirante que introduziu as primeiras mudas de café no Brasil e percorreu o trajeto entre Belém do Pará e Vila Bela da Santíssima Trindade no Mato Grosso em meados do século XVII. Luis de Albuquerque Melo Pereira e Cáceres, quarto Governador da Capitania do Mato Grosso, foi na sua gestão que se construiu o Forte Príncipe da Beira. Trabalhadores dos seringais e da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Francisco e Apoena Meireles, grandes sertanistas e indigenistas.
Rondon estudante na Academia Militar - RJ.
Entre os vários títulos e homenagens, Marechal Rondon foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz no ano de 1925. O propositor de tal homenagem foi nada mais e nada menos que o maior físico da história da humanidade, Albert Einstein. Mais tarde, na década de 50, foi indicado apontado.
Nos anos de 1892 e 1898 ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás. Entre 1900 e 1906 dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, ligando Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras do Paraguai e Bolívia. No início do século XX encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, uma das maiores relíquias históricas de Rondônia. Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica amazônica, e que foi denominada “Comissão das Linhas Estratégicas e Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas”, também conhecida como Comissão Rondon”. Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915.
Rondon na região de Mato Grosso em 1906.
Em 1910 organizou e passou a dirigir o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), criado em 7 de setembro de 1910. Em 12 de outubro de 1911 inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira do estado do Mato Grosso e Rondônia. Em 1914 participou da denominada Expedição Científica Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizando novos estudos e descobertas na região. Durante o ano de 1914 a Comissão Rondon construiu em oito meses, 372 km de linhas e inauguraram outras cinco estações: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena, Jaru e Ariquemes. Em 15 de dezembro de 1914, foi feita a ligação dos fios da Seção do Sul com os da Seção do Norte, nas imediações da futura Estação Presidente Pena, atual município de Ji-Paraná e em sessão solene realizada na Câmara de Vereadores de Santo Antônio do Madeira, a 1° de janeiro de 1915, comemorava-se a inauguração da gigantesca missão que lhe fora conferida, na ligação dos fios de Cuiabá àquela localidade, bem como o ramal de Guajará Mirim.
Por tantos e inúmeros feitos, em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro concedido pelo Congresso Nacional. Homenageando o velho Marechal, em 17 de fevereiro de 1956, o Território Federal do Guaporé teve seu nome alterado para Território Federal de Rondônia. O grande líder e “cacique branco” como era denominado por alguns índios, veio a falecer no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.

Aleks Palitot
Historiador


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Primeiro Café com História do ano



O Café com História é um projeto dos professores do Colégio Objetivo e tem como intuito reunir historiadores da capital para debater fatos históricos recorrentes nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. O evento é gratuito e aberto à comunidade porto-velhense.

A primeira edição do Café com História de 2016 acontecerá no dia 29 de abril e sua a temática abordará parte da república velha onde ocorreram movimentos do chamado banditismo social (Cangaço e Canudos) e o contraponto, o Coronelismo. “Esses são assuntos que sempre são abordados nas questões do Enem”, explica o professor de História, Aleks Palitot.

Para fazer a apresentação dos temas, o Colégio Objetivo convidou o doutor em História, professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Marco Teixeira. Além dele, os professores de história do Colégio Objetivo Tiago Manso, Rita Vieira, Elen Regina e Daniel Araújo também estarão presentes nos debates e resoluções de questões. “Como participação especial, teremos a presença do professor Lourismar Barroso”, informou Palitot.

Na literatura brasileira, o Café com História relembrará obras importantes, que abordam algo semelhante à temática como, O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. “Além dele, vamos homenagear também Mário Vargas Llosa, autor de A Guerra do Fim do Mundo. São obras que retratam muito bem a época que iremos debater”.

O evento será no auditório do Colégio Objetivo, às 19h30 e contará com sorteios de brindes. O Colégio Objetivo fica localizado na Rua Paulo Freire, 4767, bairro Flodoaldo Pontes Pinto. Informações pelo telefone (69) 3211-6029.

Assessoria de Comunicação
  GRUPO PELLUCIO

domingo, 10 de abril de 2016

Amazônia e os seus primeiros habitantes

Nos sítios arqueológicos da Amazônia, foram encontrados vestígios, em sua grande maioria, de pedra e de cerâmica. Além do mais, os povos da região não conheciam nem possuíam escrita. Com isso, podemos caracterizar a arqueologia da Amazônia pela fabricação de objetos de pedra e de cerâmica, além do material perecível (madeira, fibras, folhas, etc).
Dentre os sítios e vestígios arqueológicos da Amazônia, conforme a pesquisadora Adélia Engrácia, temos como os principais tipos:

SAMBAQUIS: Consiste em depósitos de conchas encontrados, no caso, ao longo das margens dos rios da Amazônia.
PALAFITAS OU ESTARIAS: Cabanas erguidas sobre estreitos em lagos, lagoas ou áreas inundáveis.
INSCRIÇÕES RUPESTRES: Gravuras de desenhos em pedras e abrigos sob-rocha, observados nos rios Xingu, Negro, Uaupés, Mamoré, Guaporé, Madeira, dentre outros.
Desenho rupestre na região de Presidente Médice
ATERROS ARTIFICIAIS: Aterros feitos, em áreas inundáveis, por povos indígenas para construir suas aldeias. Em geral, tais aterros possuíam de um a três metros acima do nível da água.
HIPOGEUS OU POÇOS ARTIFICIAIS Eram escavações usadas como cemitérios.
O estudo histórico sobre a arqueologia da Amazônia, serve para nos mostar a maneira de viver (a cultura) complexa e diversificada dos índios da Amazônia. Diversas culturas são destacáveis pela qualidade artística de suas produções, tais como: Cunani, Maracá, Miraranguera e, principalmente, as culturas de Marajó e de Santarém.
Estatueta feminina encontrada em Presidente Médice
Com relação às culturas de Marajó e Santarém, pode-se notar que, além do complexo acabamento artístico, suas cerâmicas apresentavam outras funções, como:

MARAJÓ
A cerâmica Marajó apresentava duas funções básicas: utilitária, pois eram formas funcionais e sem decoração nas superfícies; religiosas, apresentando variados tamanhos e formas, além de complexa decoração artística.
Cerâmica Majaró
SANTARÉM
A cerâmica Santarém compreendia vários utensílios (vasos, taças, bacias,etc), servindo para exercer funções diversas. Dessa maneira, a partir da arqueologia da Amazônia, podemos ter uma idéia preliminar e geral sobre as culturas pré-coloniais da região.

POPULAÇÃO INDÍGENA EM RONDÔNIA

O início da ocupação humana na Amazônia se deu há pelo menos 14 mil anos, entre final do Pleistoceno e o começo do Holoceno. Esta data pode ser ainda mais antiga, alcançando cerca de 20 mil anos. Sendo assim, os primeiros ocupantes destas terras em transformação foram grupos que viviam da caça, pesca e coleta. Ao que tudo indica, estariam organizados em pequenos bandos, decerto compostos por algumas famílias, as quais tinham grande mobilidade espacial em um território imprecisamente marcado.
Nômades, eles deixaram vestígios fugazes, como restos de lascamentos da pedra e fogueiras esparsas, contando-se, atualmente, com poucos sítios arqueológicos cadastrados. Muitas vezes, suas pistas se restringem a belas pontas de projéteis em sílax e calcedônia, recolhidas por dragas de garimpo no fundo do Rio Madeira ou nas altas barrancas de suas margens.
Índio Suruí em Rondônia
Existem inúmeros sítios arqueológicos em Rondônia em seus diversos municípios com oficinas líticas, desenhos rupestres em lajedos e etc. Muitos localizados em Porto Velho, Nova Mamoré, Costa Marques, Presidente Médici, Ji-Paraná, Rolim de Moura, Alta Floresta do Oeste, Machadinho e Guajará-Mirim principalmente.
Ao longo dos milênios, os esparsos habitantes acabaram se espalhando por toda região, criando raízes. E ele teriam sido, ainda, os responsáveis pelas primeiras alterações no meio ambiente, relativas ao manejo de espécies florestais preferidas e experimentações de cultivo, desde ao menos oito mil anos. Este longo processo de alterações genéticas foi necessário para a plena domesticação das plantas, o que levou ao surgimento de sociedades intensamente agricultoras e de alta densidade populacional, como as de hoje. 
Índios Gavião em Rondônia. 
Ainda não foi possível chegar-se a números mais exatos e a estimativa mais fidedignas sobre a população original da Amazônia, todavia, de outro lado, não resta dúvida de que a Amazônia ocorreu uma verdadeira catástrofe demográfica com relação à população indígena.
Isso pode ser visto ainda hoje, pois o maior dos sintomas desse grande despovoamento é a condição de extinção a que está submetida a maioria das poucas culturas indígenas que restaram.
Os índios mais antigos relatam como viram outras nações indígenas amigas e adversárias desapareceram ainda neste século. Outros, completamente destribalizados e dizimados culturalmente, não tiveram outro caminho senão integrar-se à cultura dos “brancos”, vivendo em condições de extrema precariedade. Apesar dos esforços dos índios, de antropólogos e organizações, muitas culturas já entraram num processo irreversível de extinção.
Essa catástrofe demográfica tem suas origens com a invasão do colonizador europeu, que passou a tomar posse das terras dos índios, escravizando a mão-de-obra indígena e impondo sobre essas culturas a força da espada e o temor da cruz, como forma de civilizar aquele que era tido por “selvagem”.
Além do mais, os colonizadores trouxeram muitas doenças e problemas sociais que, antes, não existiam entre os indígenas, o que colaborou ainda mais para a dizimação se desse de maneira acelerada e intensiva.
Dentre os vários grupos indígenas existentes em Rondônia, podemos destacar dez grupos de maior expressão no Estado: Gavião, Arara, Cinta Larga, Karitiana, Karipuna, Pakaás-Novos, Suruí, Tupari-Makurap-Jabuti, Kaxarari e Uru-EU- Wau-Wau. Os grupos indígenas de Rondônia ocupam uma área de 4.524.142 há, equivalente a 18,62 % do território do Estado.
Desenhos rupestres em Jirau - Rondônia
A tribo dos Gaviões encontra-se localizada nas proximidades do Posto Indígena Igarapé Lourdes, no afluente do Rio Ji-Paraná. Por volta de 1955, ocorreu a classificação da língua falada pelos Gaviões, constatando-se que se tratava de uma ramificação do tronco Tupi. O contato, de fato, dos índios Gaviões com a população “branca” ocorreu devido à penetração marcante dos seringueiros e caucheiros em terras que até então eram inexploradas. E, por esse motivo, os índios acabaram por aprender as atividades cabíveis a um seringueiro, iniciando-se assim o processo praticamente inevitável de perda da sua identidade étnica e sua integração como indivíduos das populações locais, pois, de um lado, havia a presença de seringueiros e, de outro, os, missionários com seus objetivos eclesiásticos.
A tribo dos Araras localiza-se bem próximo à aldeia dos Gaviões, sua língua, apesar de ser do tronco Tupi, é da família Ramarama. O ano de 1853 marca o primeiro contato desta tribo com os missionários, que não foram bem sucedidos, pois os índios Araras não aceitavam ser catequizados. Ao findar do século XIX, os missionários tentaram mais uma vez a aproximação com os Araras, que se encontravam enfraquecidos, pois haviam contraído doenças que estavam dizimando sua população. No entanto, os índios não se deixaram abater, e mais uma vez expulsaram os jesuítas. Porém, não conseguiram vencer os seringueiros e os caucheiros que chegaram à região, estabelecendo assim relações pacíficas com eles.
Índios Karipuna na região de Porto Velho - 1910.
A tribo dos Cinta Larga em Rondônia habita a área do Parque Indígena Roosevelt, a área que está incluída no Parque Indígena do Aripuanã. A classificação linguística dos Cinta Larga, também, procede do tronco Tupi (família Mondé). As terras dos Cinta Larga fazem parte de uma zona aurífera de Rondônia. Por esse motivo, os primeiros contatos desses índios com os não-índios ocorreram através dos garimpeiros, contato marcado por extrema hostilidade indígena em razão de as suas terras estarem sendo invadidas, de um modo geral, por conta da presença áreas ricas em diamantes. Um dos eventos trágicos é o caso do Massacre do Paralelo 11 na região indígena. Muitos índios foram massacrados por garimpeiros e jagunços.
Os Karitianas são uma tribo que vive na área do Parque Indígena Karitianas, localizado no município de Porto Velho. Sua classificação linguística também provém do tronco Tupi (família Arikém). Apesar de terem mantido contato com os exploradores ainda do século XVIII, os Karitianas, localizado no município de Porto Velho. Sua classificação linguística também provém do tronco Tupi (família Arikém). Apesar de terem mantido contato com os exploradores ainda no século XX, quando passaram a sofrer exploração por parte dos caucheiros e seringueiros. Em 1910, com o surgimento do Serviço de Proteção ao Índio, SPI, a tribo dos Karitianas passou a receber proteção desse órgão, evitando assim que fossem explorados.
Índio Karipuna na região de Porto Velho.
No século XVIII, uma das tribos mais comentadas da região era a dos Karipunas, visto que essa tribo estendia-se pelas margens dos rios Madeira, Mutum-Paraná e Jaci-Paraná, fato que a colocava em contato direto com as pessoas que estavam trabalhando na construção da ferrovia. Por esse motivo, os Karipunas foram os mais atingidos com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
O grupo indígena dos mais numerosos de Rondônia é o Pakaás-Novos. Estes encontram-se espalhados por uma vasta região do município de Guajará-Mirim. Os primeiros contatos dessa tribo, no passado, foram estabelecidos com os jesuítas, os trabalhadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e com os seringueiros e caucheiros, o que foi marcado por conflitos, seguida de morte de ambos lados.
Índios Uru-Eu-Wau-Wau em Ariquemes
O grupo indígena que se encontra em isolamento é o dos Uru-Eu-Wau-Wau, que, apesar de terem estabelecido contato com a FUNAI, optaram por permanecerem isolados da “civilização”.
A tribu dos Suruí passou a enfrentar sério problemas quando se expandiu a colonização na região do centro do Estado de Rondônia, no período dos projetos de integrados de colonização da década de 1970, o que facilitou as invasões de suas terras principalmente de grileiros. Os Suruís nunca estiveram abertos ao contato com os povos “brancos”, fato este comprovado, pois jamais se deixaram evangelizar por missionários. Por esse motivo, os primórdios são marcados por conflitos, em sinal de defesa de suas terras, que eram invadidas ou ameaçadas.

Aleks Palitot
Professor e Historiador