sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Mundo não acabou! Por quê?



OS MAIAS
A civilização maia foi uma cultura mesoamericana pré-colombiana, notável por sua língua escrita pela sua arte, arquitetura, matemática e sistemas astronômicos. Inicialmente estabelecidas durante o período pré-clássico (1000 a.C. a 250 d.C.), muitas cidades maias atingiram o seu mais elevado estado de desenvolvimento durante o período clássico (250 d.C. a 900 d.C.), continuando a se desenvolver durante todo o período pós-clássico, até a chegada dos espanhóis. No seu auge, era uma das mais densamente povoadas e culturalmente dinâmicas sociedades do mundo.
A civilização maia divide muitas características com outras civilizações da Mesoamérica, devido ao alto grau de interação e difusão cultural que caracteriza a região. Avanços como a escrita, epigrafia e o calendário não se originaram com os maias; no entanto, sua civilização se desenvolveu plenamente. A influência dos maias pode ser detectada em países como Honduras, Guatemala, El Salvador e na região central do México, a mais de 1 000 km da área maia. Muitas influências externas são encontrados na arte e arquitetura Maia, o que acredita-se ser resultado do intercâmbio comercial e cultural, em vez de conquista externa direta. Os povos maias nunca desapareceram, nem na época do declínio no período clássico, nem com a chegada dos conquistadores espanhóis e a subsequente colonização espanhola das Américas.


O CALENDÁRIO
O prognóstico maia do fim do mundo foi um erro histórico de interpretação, segundo revela as pesquisas realizadas e já comprovadas pelo historiador e arqueólogo do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) , o dr. Orlando Casares. No passado, a base da medição do tempo dessa antiga cultura era a observação dos astros. Eles se baseavam, por exemplo, nos movimentos cíclicos do Sol, da Lua e de Vênus, e assim mediam suas eras, que tinham um princípio e um fim. Para os maias não existia a concepção do fim do mundo, por sua visão cíclica, por conta do seu calendário ser circular com 52 anos. A era conta com 5.125 dias, quando esta acaba, começa outra nova, o que não significa que irão acontecer catástrofes; só os fatos cotidianos, que podem ser bons ou maus.
Para não deixar dúvidas, uma exposição do Museu do Ouro em Bogotá, explica o elaborado sistema de medição temporal dessa civilização. Um ano dos maias se dividia em duas partes: um calendário chamado ‘Haab’ que falava das atividades cotidianas, agricultura, práticas cerimoniais e domésticas, de 365 dias; e outro menor, o ‘Tzolkin’, de 260 dias, que regia a vida ritualística.
A mistura de ambos os calendários permitia que os cidadãos se organizassem. Dessa forma, por exemplo, o agricultor podia semear, mas sabia que tinha que preparar outras festividades de suas deidades, ou seja, não podiam separar o religioso do cotidiano.
Ambos os calendários formavam a Roda Calendárica, cujo ciclo era de 52 anos, ou seja, o tempo que os dois demoravam a coincidir no mesmo dia. Para calcular períodos maiores utilizavam a Conta Longa, dividida em várias unidades de tempo, das quais a mais importante é o “baktun” (período de 144 mil dias); na maioria das cidades 13 “baktunes” constituíam uma era e, segundo seus cálculos, em 22 de dezembro de 2012 termina a presente.
Com essa explicação quero demonstrar que o rebuliço espalhado pelo mundo sobre a previsão dos maias não está baseado em descobertas arqueológicas, mas em erros, “propositais ou não”, de interpretação dos objetos achados dessa civilização.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Rondon e sua missão na Amazônia

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu a 5 de Maio de 1865 no Mimoso, Sul de Mato Grosso. Descendente de índios Terenas e Bororos, era órfão de pai e a sua mãe morreu quando tinha dois anos, tendo sido criado pelo avô e mais tarde pelo tio Manuel Rodrigues da Silva Rondon. Estudou em Cuiabá e em 1881 ingressou no exército, tendo-se graduado em Ciências Físicas e Naturais na Escola Militar no Rio de Janeiro. Teve participação ativa na proclamação da República no Brasil (1889).
Em 1890 foi integrado na Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Cuiabá ao Araguaia (1890-1898). A partir de então, iniciou uma carreira de expedicionário no Mato Grosso, como construtor das linhas telegráficas. Esta foi também marcada pela apetência para promover contactos e a pacificação das tribos indígenas, que viam os territórios invadidos pela construção das vias de comunicação. Movido por crenças positivistas, o seu lema “morrer se preciso for, matar nunca”.
Em 1900 chefiou a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso (1900-1906), que pretendia ligar as zonas das fronteiras com a Bolívia e o Paraguai. Em 1907 o presidente do Brasil António Pena nomeou-o chefe da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas (1907-1915). Acompanhou e orientou o presidente americano Theodore Roosevelt na expedição ao Amazonas em 1913.
Foi presidente do Serviço de Protecção aos Índios, instituição criada em 1910, com o objetivo de dar assistência e defesa às populações indígenas. Esteve envolvido no projeto de criação do parque do Xingu, em 1952, serviu de inspiração para a criação do Museu do Índio. Em 1953, foi nomeado para o prémio Nobel da Paz. Em 1956, foi homenageado com a passagem do nome do território de Guaporé para Rondônia, idéia sugerida por Roquette-Pinto. Rondon morreu em 1958 deixando um legado ao serviço da defesa dos direitos dos índios.
As fontes para a elaboração do relato de expedição foram os livros Missão Rondon e Rondônia, cujas fontes primárias a que recorreram foram a Exposição do descobrimento do Juruena e o “minucioso” Diário de Rondon.
Foi em inícios do ano de 1907 que o então major Cândido Rondon foi escolhido para proceder à instalação de uma rede de linhas telegráficas, do Mato Grosso ao Amazonas. Este terá sido o seu maior desafio profissional e representa uma das maiores explorações geográficas na América. Esta exploração decorreu nos anos de 1907, 1908 e 1909, sob a forma de três grandes expedições levadas a cabo uma em cada ano e que, em concreto, ligaram Cuiabá a Sto. António do Madeira. Nestas três expedições fez-se a travessia de territórios nunca antes percorridos pelo homem branco.
Em 1908, partiu para uma segunda expedição, que decorreu entre 28 de Julho e 2 de Novembro e cujo percurso ligou o Juruena a Serra do Norte, tendo lugar em pleno território Parecí e Nambiquará.
Acompanhado de 127 homens, bois, burros de carga e de sela, cavalos e bois de corte saiu a 28 de Julho de Tapirapoan, com rumo à Aldeia Queimada. O dia 2 de Agosto foi preenchido com a construção de uma ponte sobre o rio Papagaio. Ao entardecer deflagrou um fogo de gravíssimas proporções, acidentalmente provocado pelos expedicionários. Neste episódio estes só foram salvos por uma brisa particular, que abrandou o fogo. Já em novo acampamento em Saue-u-iná, a 10 de Agosto, a coluna foi ainda ameaçada pelo mesmo fogo.
O dia-a-dia da expedição desenrolava-se como uma rotina. A alvorada era por volta das quatro da manhã, com o som de cornetas e clarins a abafar as melodiosas flautas parecís. Fazia-se a primeira refeição do dia e, estando à coluna formada, iniciava-se a marcha sertão adentro, sob os primeiros raios luminosos. A caminhada dava-se por descampados ou matas cerradas, debaixo de sol ou de chuva. No fim do dia os homens dedicavam-se à montagem do acampamento, comiam e repousavam em volta da fogueira, enquanto alguns ficavam de sentinela durante a noite.
A 13 de Agosto a coluna acampou em pleno território Nambiquará. Na mente dos homens perpassava o terror, pois podia estar iminente um ataque desta tribo hostil. À vontade de desertar de muitos, contrapunha Rondon um comando exemplar que visava conservar o espírito de sacrifício, de crença na missão de que estavam incumbidos. Era o bem nacional que devia imperar.
Ao longo do percurso iam sendo encontrados muitos vestígios de índios, até mesmo aldeias recém abandonadas, que eram alvo de cuidadosa investigação por parte de Rondon que, “radiante”, procurava assim adquirir conhecimentos sobre a gente cuja confiança e amizade desejavam conquistar.
Em finais de Agosto chegou-se a Aldeia Queimada e nos 29 dias que seguiram à partida desta povoação, os exploradores percorreram cerca de 272 km e encontram-se no interior do vasto sertão contíguo ao Juruena. Aqui foram de novo vistos vestígios da passagem recente dos índios e reinstalou-se o medo de uma emboscada por parte dos “selvícolas”, que acaba efetivamente por acontecer, sem, no entanto daí resultarem quaisquer danos pessoais, apesar da exaltação dos ânimos. A 1 de Setembro é feita a travessia do Juruena.
A 7 de Setembro foi instalado o planeado destacamento do Juruena. A expedição prosseguiu caminho sempre para Norte de Mato Grosso, passando por rios importantes.
Finalmente, a 4 de Outubro, os expedicionários deparam-se com uma “imponente massa azul limitando o horizonte”. Tinha sido atingida a Serra do Norte, o ponto extremo desta segunda expedição.
A 8 de Outubro, vê-se forçado a interromper a expedição, por haver necessidade de reorganizar os trabalhos de “construção”. A 401 km de Aldeia Queimada, é feita a retirada da coluna, no dia 12 de Outubro.
A expedição de 1908 teve um significado importante, pois, juntamente com as de 1907 e de 1909 deixou reunidas todas as condições necessárias para as expedições posteriores da Comissão das Linhas Telegráficas, fundada em 1907 e que viu o seu nome ser alterado para Comissão Rondon, em homenagem ao seu primeiro impulsionador. Veio a desempenhar funções que transpõem a finalização das obras daquelas linhas, abrangendo a projeção dos índios, bem como trabalhos de cariz científico diverso, como sejam a cobertura de levantamentos topológicos, etnográficos, linguísticos ou de espécimens animais e vegetais.

Aleks Palitot

Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Revivendo as aventuras de Rondon


A história é testemunha que Mariano da Silva Rondon realizou grandes trabalhos na Amazônia, principalmente em Rondônia nos períodos que compreendem 1907 à 1915, quando foram construídas as Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas. Quis o destino que este descendente de índio, fosse incumbido pelo presidente da República Afonso Pena, de ligar o norte do país ao sul através das linhas de telégrafo. Mas isso não bastava para esse grande homem, ele queria mais. Foi Rondon o responsável por grandes descobertas geográficas, hidrográficas, geológicas, botânicas e zoológicas em Rondônia. A missão não ficaria resumida aos postes do telégrafo e suas estações, mas também a fazer análises do solo, fauna e flora, e além de tudo, contactar os povos indígenas e tentar minimizar o impacto ocasionado pelo avanço do homem branco na floresta Amazônica.
Foi tentando reviver as aventuras de Marechal Rondon que o Trilhando a História junto a Amazônia Vertical, realizaram uma Expedição ao Vale do Apertado no município de Pimenta Bueno no interior do Estado de Rondônia, local descoberto pelo sertanista Rondon, provavelmente em 1909, quando ele chega na região através dos rios Barão de Melgaço e Pimenta Bueno.
Depois de ter partido das margens do rio Juruena e demandarem 50 dias de viagem, empregados todos eles, em trabalhos preliminares, para fixação da rota, estabelecerem acampamento junto ao rio que Rondon denominou de Comemoração de Floriano e, mais adiante, ele próprio, o reabatizou em 22 de julho de 1909 com o nome atual de Melgaço. É justamente entre esses dois rios que existe um lugar encantador, e para muitos, difícil de se acreditar que exista em Rondônia, justamente pelo fato de não existirem políticas públicas efetivas para o turismo dentro do estado, que resulta no desconhecimento pelos próprios rondonienses, das belezas naturais que existem em Rondônia e não são exploradas e muito menos divulgadas.
O Trilhando a História aproveitou as atividades da empresa de Turismo de Aventura Amazônia Vertical, para gravar dois programas para TV Record. A Expedição ao Vale do Apertado ocorreu no mês de outubro e durou três dias. Os membros da Expedição puderam conhecer mais de 16 cachoeiras existente no lugar, além claro que fazerem inúmeras trilhas, acamparem na floresta, fazerem uma tirolesa em uma cachoeira de 90 metros e ponto alto das atividades radicais que foram dois rapeis, um na gruta dos morcegos, que possui uma atura aproximada de 30 metros, e posteriormente um rapel em uma cachoeira de 40 metros, algo impressionante pela beleza do lugar.
Sem sombra de dúvida Rondônia é um estado inexplorado no que tange o turismo de selva e aventura. Logo esse grande estado no meio da Amazônia, com potencial turístico latente, sendo pertinente a ausência dos gestores públicos em todas as esferas, no planejamento sustentável dos roteiros para o turismo em Rondônia.
Rondônia é um estado rico em história, patrimônio, cultura, natureza, ecologia e meio ambiente, é necessário urgência para o fomento de atividades que levem as mais diversas opções de turismo e roteiros na região.

Aleks Palitot

Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Expedição Vila Bela 2012 Objetivo


Ruínas da Igreja Matriz de Vila Bela construída em 1769

Conhecer a história de perto, viver ela e sentir o ambiente que foi palco de acontecimentos do passado, contribui para um melhor aprendizado da história e da geografia do norte do país. Sendo assim, o Colégio Objetivo em mais uma iniciativa de suas Expedições Pedagógicas, nos dias 15,16,17 e 18 de novembro, levou os alunos dos segundos anos do Ensino Médio das unidades 1 e 2, para o Estado do Mato Grosso em Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital daquele estado, é um dos municípios com maior potencial turístico de Mato Grosso.
Os alunos do Colégio Objetivo visitaram o centro de Vila Bela, onde estão as ruínas de uma catedral do período colonial. Ela é um símbolo da cidade e constitui o marco de uma história que começa em 1752 . Eles puderam aprender com o auxilio do professores Ruzel Costa (Geografia) e Aleks Palitot (História), que naquela época, a descoberta de riquezas minerais na região do Rio Guaporé fez com que Portugal se apressasse em povoá-la, temendo que os vizinhos espanhóis fizessem o mesmo. Foi, então, criada a Capitania de Mato Grosso e sua capital instalada em 19 de março de 1752 com o nome de Vila Bela da Santíssima Trindade.

Cachoeira dos Namorados em Mato Grosso
Além de conhecer os aspectos históricos e culturais da região como as festividades locais e tradicionais, os aventureiros do Objetivo visitaram o antigo Palácio dos Governadores e as ruínas do antigo Porto Colonial de Pouso Alegre na região. O ponto alto da Expedição sem sombra de dúvidas foi as trilhas até a Cachoeira dos Namorados, uma queda d’água de noventa metros, e a caminhada de uma hora até o Vale das Cachoeiras onde existe mais sete cachoeiras. Mas o objetivo dos expedicionários era chegar até o Poço Azul, um lugar mágico pelas belezas naturais e rico em história também, por ser no passado a rota de fuga dos escravos do Vale do Guaporé. A água do poço é cristalina de uma cor azul turqueza e para completar o lugar é cercado por dois paredões da Serra Ricardo Franco, cada um destes com quinhentos metros de altura.
Poço Azul no Vale das Cachoeiras em Vila Bela
A grande lição e o grande aprendizado dos alunos também, foi sobre a preservação do patrimônio histórico, exemplo em Vila Bela, algo que poderia ser seguindo aqui em Rondônia. Eles puderam compreender que patrimônio cultural é o conjunto de manifestações, realizações e representações de um povo, de uma comunidade. Que ele está presente em todos os lugares e atividades: nas ruas, em nossas casas, em nossas danças e músicas, nas artes, nos museus e escolas, igrejas e praças. Nos nossos modos de fazer, criar e trabalhar. Ele faz parte de nosso cotidiano e estabelece as identidades que determinam os valores que defendemos. É ele que nos faz ser o que somos. Quanto mais o país cresce e se educa, mais cresce e se diversifica o patrimônio cultural. O patrimônio cultural de cada comunidade é importante na formação da identidade de todos nós, brasileiros.

domingo, 11 de novembro de 2012

Gestão Ambiental e Sustentabilidade na PORTO FGV


Acadêmicos da PORTO FGV com a Comitiva de historiadores peruanos
Em 2012 várias nações do globo se reuniram no Rio de Janeiro para discutir temas de extrema relevância para a humanidade. Entre tantos temas que abordavam as conferências e núcleos de discussões, a Gestão Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável também foram parte do debate da RIO Mais 20.

Pensando nisso a Faculdade Porto Velho FGV, no curso de Administração, resolveu através da disciplina eletiva Gestão Ambiental ministrada pelo Professor Aleks Palitot, proporcionar aos acadêmicos do 8° período um semestre de aprendizado, conhecimento e experiências sobre o tema Sustentabilidade. Na parte final da disciplina, foram feitos seminários na primeira semana do mês de novembro de 2012, com intuito de aprofundar ainda mais a discussão sobre o tema.

Após a fase dos seminários, dia 10 de novembro os alunos puderam conhecer de perto uma projeto sustentável que existe em Porto Velho, através da empresa turística Águia Tours, liderada pelo Comandante Ribeiro. O projeto sustentável consiste em um passeio de lancha com uma aula barco durante o percurso pelo Rio Madeira. O Comandante Ribeiro faz comentários, com informações históricas, ambientais e culturais sobre todo o trajeto do passeio, que leva cerca de uma hora.
Durante a atividade os alunos puderam perceber o funcionamento de um projeto sustentável que foi financiado pelo Banco da Amazônia, e assim, na prática entender a funcionalidade do mesmo.
No final do passeio os acadêmicos tiveram a oportunidade de conhecer os membros da Comitiva Peruana, que esteve na cidade de Porto Velho recentemente, para uma parceria com o Governo do Estado de Rondônia, que objetiva resgatar o patrimônio histórico da Estrada de Ferro Madeira Mamoré que este ano completou cem anos de inauguração. Foi oficializado também, um convite formal pelos historiadores peruanos Oscar Ferreyra e Dr. Francisco Pantigoso, para que os alunos visitem o Museu do Instituto de Estudos Históricos do Pacífico em Lima em fevereiro, acompanhando a Segunda Expedição Machu Picchu Objetivo, que partirá de Porto Velho em 2013.

domingo, 4 de novembro de 2012

UM TREM CHAMADO COOPERAÇÃO PERU - BRASIL

Dr. Pantigoso em entrevista para o Trilhando a História em Lima -Peru
Historiador Aleks Palitot e Historiador Peruano Dr. Ferreyra em Lima - Peru
Este ano 2012 comemora-se o centenário da construção da mítica Estrada de Ferro Madeira Mamoré. E esta efeméride tocou as portas do Peru, como se os trilhos mágicos desse trem quisessem estender-se até a terra dos Incas.
O Instituto de Estudos Históricos del Pacifico (INEHPA), teve a iniciativa do seu Diretor Legal, o peruano - brasileiro Dr. Francisco Pantigoso Velloso da Silveira, amigo há muitos anos da integração econômico – cultural Brasil e Peru, vai estar presente em Porto Velho, entre os dias 7 e 11 de novembro, com a finalidade de visitar as áreas onde estiveram os trilhos e ter diversas reuniões de trabalho com os representantes da SETUR (Superintendência Estadual de Turismo de Rondônia) , SECEL (Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer), SEMDESTUR (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo) e da SEDES (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Social), além de uma visita protocolar ao Governador Dr. Confúcio Moura.
 O evento foi batizado de “Cooperação cultural e turística Brasil e Peru, no centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM)”.
No próximo dia sábado 10, o INEHPA oferecerá uma palestra que versará sobre as atividades do Instituto peruano em Lima, o Museu, trabalho de investigação recente no Acre (posta em valor dos objetos da Guerra Acreana), a riquíssima história das ferrovias peruanas, pesquisas de arqueologia ferroviária no Peru, e a divulgação de varias dicas novedosas sobre a EFMM, obtida de fontes internacionais.
 Estará presente nesse dia, o associado ao Instituto, Dr. Elio Galessio, um dos mais destacados especialistas em trens no Peru. Também acompanhará todas as atividades em Rondônia o reconhecido historiador e especialista na vida dos séculos XIX e XX, Dr. Oscar Ferreyra Hare, Diretor fundador do INEHPA, autor de livros como “O Soldado desconhecido”, investigação antropológica e arqueológica sobre um jovem soldado encontrado pelo Instituto nas areias desérticas de Lima, oculto em uma trincheira das batalhas da Guerra do Pacifico em 1881. Essa investigação concluiu com o enterro daquele soldado peruano de 16 anos na Cripta dos Heróis, com solenidades de Estado.
 O objetivo desta visita dos amigos peruanos segundo o Dr. Ferreyra, é consolidar um projeto integral de posta em valor dos diversos objetos da EFMM, colaborar na configuração de um Museu de alto nível sobre a ferrovia, e gerar um livro sobre a EFMM com os documentos que estão sendo resgatados de fontes estrangeiras que cooperam com o INEHPA. Também se pretende formular um projeto de reativação de um trecho do velho trem, tendo em conta que o INEHPA tem uma longa experiência no Peru com o “turismo ferroviário”, contando com especialistas na matéria.
As atividades estarão ressaltadas com a presença do embaixador do Peru no Brasil, Dr. Jorge Bayona, quem voará de Brasília a Rondônia para participar do evento.
Simbolicamente, os trilhos da centenária Madeira Mamoré começam a renascer, trazendo e levando amizade, cultura compartilhada, revitalização da identidade cultural, e sintomaticamente partindo do Peru, um país com alta experiência em temas arqueológicos e de desenvolvimento museológico, graças a sua riqueza histórica milenar.
Novamente escuta-se seu apito, ao longe, como anunciando um novo dia, cheio de união dos nossos povos. “Uma bela homenagem também as centenas de operários que de todo o mundo chegaram para a construção da EFMM entre 1907 e 1912, e que morreram na Amazônia, e entre eles se contam muitos peruanos” – explica com emoção o Dr. Pantigoso.
Fonte: Assessoria da Comitiva Peruana

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Regatão na Amazônia


Percorrendo os rios da Amazônia, em pequenos barcos ou mesmo canoas, havia a figura do regatão, que se ocupava do comércio.
Desde o século XVIII, esse comerciante dos “rios” atuava na região. Com advento do sistema de aviamento, a ligação entre seringalistas e casas aviadoras, o regatão passou a funcionar clandestinamente, comercializando à noite, visando escapar da vigilância dos proprietários dos seringais.
Os portugueses e caboclos, os quais exerceram a atividade no início, foram substituídos pelos sírios, pelos libaneses e pelos judeus no decorrer do século XIX.
Apesar de serem perseguidos por seringalistas e aviadores, correr riscos, os comerciantes de regatão insistiam na atividade, negociando clandestinamente com os seringueiros a troca de mercadorias ou dinheiro pela borracha. Procurando sempre obter o maior lucro possível, face os riscos, esse comerciante regateava o preço da mercadoria comprada junto ao seringueiro, muitas vezes, ludibriando-o.
Contudo, apesar do valor negociado com o regatão ser um pouco inferior ao que era pago pelo seringalista pela sua borracha, o seringueiro recorria ao comércio clandestino do regatão como uma forma de resistência, visando suprir necessidades nunca atendidas pelos patrões do seringal.
Em Porto Velho, temos a notícia de um desses regateadores da Amazônia, a figura de Isaac Benchimol, enterrado no Cemitério da Candelária no ano de 1913. O mesmo vivia do comércio pelo Rio Madeira, oferecendo produtos dos mais diversos aos ribeirinhos, seringueiros e comunidades tradicionais.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098.

domingo, 7 de outubro de 2012

A Ferrovia Esquecida


Ali, nas cachoeiras do rio Madeira, os 366 quilômetros da velha e abandonada ferrovia Madeira Mamoré que rasgam a densa floresta amazônica, constitui hoje, antes de tudo, o testemunho impressionante da capacidade realizadora do homem tentando subjugar as hostis imposições do meio ambiente e escapar ao determinismo geográfico da mais emaranhada rede hidrográfica do planeta.
Quando em 1861 surgiu a idéia de se construir a ferrovia, já uma solução para resolver o problema da navegação do trecho encachoeirado do grande rio vinha sendo tentada por gerações anteriores. Injustiça seria omitir a atuação de nossos antepassados, pois a história, é continuidade; há sempre nas grandes ações humanas, um nexo com o passado, por mais sutil ou despercebido que seja.
Quase um século antes de sua construção, muitas vidas foram sacrificadas nas cachoeiras do Madeira; eram cientistas, engenheiros, comerciantes e exploradores que pagaram um precioso tributo. Mas a natureza jamais vencerá a raça de um povo obstinado sempre em construir, nesta parte da América, uma grande Nação.
Durante 190 anos – 1722 a 1912 - o homem sonhou, lutou, sofreu, desesperou-se e morreu, na ânsia de construir ali uma civilização, escrevendo uma das mais notáveis epopéias de nossa engenharia ao longo de toda a história da ferrovia.
Das idéias originais do projeto, em 1861, à determinação de construir do governo Imperial brasileiro e finalmente, ao encerramento das atividades da primeira empresa empreiteira, que foi a Public Works, não se sabe quantos lá trabalharam; não se sabe sequer quantos desapareceram num empreendimento malogrado; sabe-se que os ingleses viveram um terrível drama, nas selvas amazônicas, dali, batendo retirada e, a considerar-se notícias daquela época, seu pessoal, cruelmente dizimado, às centenas, numa fúnebre trilha de corpos abatidos pelas febres, pelos índios e por enfermidades desconhecidas.
Numa segunda tentativa, agora uma construtora americana, em 1878, P.T. Collins, atirava-se decididamente na imensidão amazônica e, em 1879, apenas um ano passado, retiravam-se arrasados e vencidos os norte-americanos. Uma dezena de quilômetros de trilhos foram abandonados e luxuriante vegetação amazônica se encarregaria de cobrí-los.
Finalmente em 30 de abril de 1912 assentava-se o último dormente no ponto final da estrada de ferro, em Guajará-Mirim. Hoje erradicada por recomendação da Comissão Mista Brasil – Estados Unidos e por sido considerada deficitária, completamente abandonada, com seu patrimônio de 400 milhões de cruzeiros em 1967, ao relento, sendo devorada pela corrosão do tempo, está pouco a pouco sendo destruída e tomada pela própria selva que, por decisões políticas dos homens, mais uma vez vence.
A ferrovia, entretanto, não é somente os seus dormentes podres, seus trilhos gastos e fora de alinhamento, os seus vagões imprestáveis e aos pedaços. A ferrovia é também as cidades, as vilas, os povoados e o homem que, fixou onde tudo era só e unicamente floresta equatorial amazônica.
Um silêncio desolador envolve agora os 366 quilômetros da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Povo sem tradição é povo sem história.

Aleks Palitot

Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Os primeiros Prefeitos de Porto Velho

Autoridades em frente a Prefeitura de Porto Velho
O primeiro prefeito de Porto Velho, Guapindaia Brejense, não era homem dado a assuntos diplomáticos, e tão logo saía-se de um aperto, entrava em outro. A Madeira Mamoré não permitia interferências na região que considerava sua, mesmo que fossem autoridades em busca de contraventores da lei. Guapindaia baixou decretos regulando o código de postura, inclusive proibindo a cobrança de imposto de desembarque, efetuado pela ferrovia. Tudo isso, juntando-se aos casos anteriores de conflitos entre as partes, foi motivo de ásperas trocas de insultos por parte do superintendente municipal e ferroviários. Na época, um italiano teria construído um barracão, todo de zinco, para diversões; o barracão foi interditado pela prefeitura; houve interferência de patrícios, em Manaus, e a questão por haver um acordo, segundo o qual a companhia ficava dona do barracão que, logo após, alugou a um mercadeiro. O superintendente não gostou da idéia e mandou demolir duas casas que ficavam nas proximidades para, no local, construir o mercado municipal, onde hoje se encontra o Mercado Cultural de Porto Velho; e em seguida, mandou fechar o mercado da companhia. Tal medida, naturalmente, chegou a irritar ainda mais os ferroviários.
Mercado Municipal de Porto Velho na avenida Divisória (Pres. Dutra)
Logo depois, a intendência aprovou lei autorizando o superintendente (prefeito) a dar nomes as ruas, sendo chamada de Avenida Divisória a que separava as terras da companhia das terras do município, que é a atual Av. Presidente Dutra, e nela os ferroviários construíram um alambrado separando as terras da Madeira Mamoré. As outras ruas foram denominadas Sete de Setembro, Rio Branco, Floriano Peixoto e Pedro II, embora algumas fossem apenas caminhos tortuosos. Em 1919, Guapindaia tentou eleger-se superintendente de Porto Velho, porém, não era pessoa grata a Madeira Mamoré e, embora fosse apoiado pelo Dr. Joaquim Tanajura, foi derrotado pelo padre Dr. Raimundo Oliveira.
Rua Barão do Rio Branco em Porto Velho
A primeira eleição realização em Porto Velho deu-se em 1916, quando foi eleito superintendente o medico Joaquim Augusto Tanajura, investido nas funções em 1917. Tanajura havia sido anteriormente, superintendente nomeado no município de Santo Antônio do Rio Madeira. Tanajura havia pertencido à comissão da linha telegráfica e, mais tarde inspetor honorário dos índios da região.
Foto Aérea de Porto Velho em 1948
O Governo de Guapindaia o primeiro do Município de Porto Velho, foi de 24 de janeiro de 1915 a 31 de dezembro de 1916, quando foi empossado o Dr. Joaquim Augusto Tanajura, eleito para o triênio de 1917 a 1919.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098.

domingo, 30 de setembro de 2012

Vamos trilhar mais histórias


Dia de 2 de outubro de 2012 o Programa Trilhando a História estréia na TV Candelária da Rede Record e Record News. Não existe melhor data para a estréia do Trilhando a História pois, sendo esse dia a data de aniversário de Porto Velho. No feriadão, todos em suas devidas casas, poderão curtir as aventuras do professor Aleks Palitot (historiador) em um rapel emocionante no símbolo da capital de Rondônia, as Três Caixas D’águas. O programa inicia uma série de oito reportagens denominada “366 km de História”, onde a equipe do programa saiu de Porto Velho até Guajará-Mirim percorrendo os trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, fazendo paradas estratégicas em pontos históricos abandonados e merecedores de um resgate patrimonial. Nas primeiras reportagens o programa foi da Estação ferroviária de Porto Velho até o Cemitério da Candelária, e nas próximas não faltará emoção e aventura. Os aventureiros acamparam na floresta, fizeram trilhas noturnas, encontraram animais selvagens e vivenciaram um pouco das dificuldades dos pioneiros, responsáveis pela construção da grande ferrovia na Amazônia. Além do mais, trechos da aventura foram também feitos de Pajero Dakar (LF Imports), bicicleta, a pé e de caiaque, tudo para tornar a saga ainda mais emocionante.
As gravações do Trilhando a História teve o apoio e patrocínio da LF Imports, Colégio Objetivo e Amazônia Adventure. Os programas serão exibidos dois dias na semana nos programas da Record: Câmera 11 e Tempo Real, e na Record News no InterNews, além de uma exibição diferenciada de trinta minutos aos sábados e domingos na Record News.

Produção
Comunica Pellucio

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Diário de bordo de um aventureiro


Podeis imaginar o que é cruzar a Floresta Amazônica para construir uma ferrovia?
Por dias não se vê nada além da grande floresta. Perfeita e cheia de vida.
Vive-se preso ao medo. Medo das tempestades. Medo de doenças. Medo de animais selvagens. Medo do desconhecido.
Então é preciso ocultar esse medo bem no fundo da alma, e estudar os mapas, observar a bússola, rezar para um bom dia de caminhada e ter esperança. Pura, simples e frágil esperança. Assim, vivemos a verdadeira aventura nascida do vasto desconhecido, além da imensidão. Uma nova vida, uma nova História.
Em quatro longos dias e três noites, a equipe do Trilhando a História ( Reinaldo Caverna, José Calixto e Aleks Palitot) viveu a emoção e as adversidades de seguir literalmente o rastro da história, o caminho de ferro e a memória de aço. Do quilômetro um da Estrada de Ferro Madeira Mamoré até o quilômetro 366 em Guajará-Mirim.
As Três Caixas D'água em Porto Velho - RO 
Para começar realizamos no primeiro dia de nossa aventura um rapel no símbolo de nossa cidade Porto Velho, as três Caixas D’água. Depois seguimos ruma a Estação ferroviária no complexo da Madeira Mamoré, e de lá seguimos em um enduro a pé com mais de trezentos aventureiros rumo a Igreja de Santo Antônio na antiga corredeira. De lá de bicicleta nos destinamos a Cachoeira ou comunidade de Teotônio, encontramos casas e locomotivas abandonadas ao longo do percurso, constatação da realidade das políticas de preservação do patrimônio do nosso Estado, o descaso. Chegamos em Teotônio para acampar na floresta logo a noite, a exatos 20 horas do dia 7 de setembro. As 21 horas recebemos a visita do Pesquisador e biólogo o Mestre Flávio Terassini, onde com destreza irretocável nos levou a uma trilha noturna com o intuito de encontrarmos espécies da floresta, na tentativa de vivenciarmos as mesmas aflições e cuidados com que os operários da ferrovia tiveram no passado, quando encararam a floresta. Encontramos durante a atividade duas cobras, entre elas uma Jibóia de quase três metros, além de passarmos por duas aranhas caranguejeiras e um escorpião. Depois das 23 horas fomos finalmente dormir no acampamento.
Ponte do Rio Lajes - Vila Murtinho - Rondônia
Logo cedo no dia 8 de setembro seguirmos de bicicleta até a Nova Teotônio e depois rumo a Br 364. Ao chegar na rodovia colocamos as bicicletas no automóvel Pajero Dakar e seguimos até Jaci Paraná. Lá colocamos o caiaque na água no Rio Jaci e passamos pela Ponte Centenária da Ferrovia, onde depois de um tempo buscamos a margem próxima, da antiga Estação da Estrada de Ferro em Jaci. Além desta encontramos as antigas caixas d’água e uma prisão feita de trilhos, algo majestoso e ao mesmo tempo irônico, não imagino prisão maior naquela época do que a própria floresta Amazônica.
Depois do almoço seguimos de carro até Jirau e lá gravamos com antigos moradores, testemunhas oculares da época do funcionamento da Maria Fumaça.
Na mesma tarde uma grande chuva nos alcançou na rodovia, por isso, zelando pelo cuidado e cautela, diminuímos a velocidade, e chegamos as 17 horas em Mutum Paraná, e encontramos ainda resistindo ao tempo a grande Ponte de Mutum erguida em 1911. Constatamos também o grande impacto ambiental na floresta, um desmatamento gigantesco próximo dali, equivalente a 50 estádios do Maracanã.
As 17 horas e 30 minutos fomos com destino a Abunã, enfim encontramos algo a se comemorar, uma galpão revitalizado da antiga ferrovia. Mas, ainda a estação de Abunã abandonada.
Decidimos seguir de bicicleta até o entroncamento das duas rodovias (364 e 425). Chegamos por volta das 18 horas e 30 minutos e novamente colocamos as bikes no carro e seguimos até as Pontes de Araras e Ribeirão. Ás 21 horas chegamos em Vila Murtinho e mais uma vez montamos acampamento. Durante a noite sons estranhos emergiam da floresta, demorei a dormir e percebi o quanto deveria ser difícil para os operários na época da construção encararem tudo aquilo.
No dia 9 de setembro bem cedo, conhecemos as ruínas de Vila Murtinho, uma Igreja em estilo gótico lindíssima, mas abandonada. Também observamos uma Estação, 5 residências e alguns galpões além da Caixa d’água. Colocamos mais uma vez o caiaque na água no encontro do Rio Beni com o Mamoré e fomos até as corredeiras, auxiliados por um boliviano que conhecia muito bem o lugar e suas adversidades. As 9 horas depois do percurso dos rios fomos de bicicleta até a localidade de Lajes, cerca de sete quilômetros dali. Lá encontramos uma ponte metálica espetacular, denominada Ponte de Lajes. As 11 horas decidimos colocar as bicicletas no carro e seguir até Nova Mamoré para almoçar. Depois continuamos de bicicleta até a comunidade do Iata, levamos cerca de três horas e meia para chegar, e logo constatamos a beleza da antiga Vila Agrícola do Iata, com boa parte do seu patrimônio preservado por seus moradores, com exceção da antiga Estação Ferroviária. Ás 16 horas e 30 minutos, bem cansados, fomos de Pajero Dakar até uma estrada de chão em área rural de Guajará-Mirim, sabíamos da existência de uma outra ponte fora do eixo BR, numa localidade que dá nome a ponte Bananeira. Essa foi a parte mais complicada da aventura. Caminhados cerca de 10 quilômetros em meio a floresta e por descuido nosso, esquecemos nossas lanternas no carro, chegamos na ponte as 18 horas 40 minutos, mas valeu a pena, ela se encontra intacta e em pé no meio da floresta, cuja vegetação já se apóia na dita ponte, que se tornou um verdadeiro jardim suspenso. Na volta, uma surpresa na imensa escuridão nos aguardava, no meio da trilha que tentávamos iluminar com um aparelho celular, apareceu um gato do mato, que durante alguns segundos nos encarou numa distância aproximada de duzentos metros, e depois se embrenhou no mato. Chegamos ao carro na estrada de chão às 20 horas, estávamos exaustos. Chegamos em Guajará-Mirim às 20 horas e 35 minutos, e tiramos uma fotografia em frente a Estação de Guajará no quilômetro 366 finalmente, foi então que decidimos ser justo aos aventureiros um bom hotel e um banho quente, nada de acampamento.
Corredeiras do Rio Beni - Bolívia
No dia 10 de setembro, bem cedo mais uma vez nos fomos, à antiga estação e gravamos as cenas finais de nossa aventura, e com a certeza de dever cumprido, em homenagem feita aos pioneiros que enfrentaram todas as dificuldades de sua época para deixar um legado no o presente.
E fica aquela pergunta no início. Podeis imaginar o que é cruzar a Floresta Amazônica para construir uma ferrovia? Nunca saberei, pois, mesmo tentando viver algo no presente, é impossível mensurar tal epopéia desses destemidos pioneiros do passado.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87 diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098. Viveu a aventura de seguir os trilhos da Estrada de Ferro Madeira Mamoré de Porto Velho até Guajará Mirim em 4 dias. Foram 366km de História e Estórias.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Professor da Porto FGV defende artigo em Simpósio Nacional


Professor Aleks Palitot com os integrantes do grupo de trabalho que debateu  a relação centro
e perfireria: Estado e Sociedade Civil em Áreas Periféricas. 
O Professor Aleks Palitot (historiador) participou entre os dias 20 e 22 de agosto do VII Simpósio Nacional Estado e Poder: Sociedade Civil. O evento reuniu os mais importantes historiadores do Brasil das principais Universidades Federais. O Simpósio foi sediado na Universidade Federal de Uberlândia, Campus Santa Mônica, Minas Gerais. O evento na UFU é resultado de uma jornada iniciada pelo Núcleo de Pesquisa sobre Estado e Poder no Brasil, na Universidade Federal Fluminense – UFF, no ano de 2004, e que hoje reúne estudantes de pós-graduação, professores e pesquisadores de várias Universidades e instituições de pesquisas do país. Assim o Núcleo de pesquisa tem procurado realizar seus encontros nacionais em outras unidades da federação, como aconteceu nos casos do VI Simpósio na Universidade Federal do Sergipe, o III Simpósio na Universidade Federal de Goiás e do IV na Universidade Estadual do Maranhão. Todos os Simpósios realizados até aqui tiveram como objetivo comum o fato de promover discussões temáticas específicas da questão conceitual sobre o Estado no Brasil.
O VII Simpósio foi fruto da iniciativa do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Estado e Poder e do Núcleo de Pesquisa e Estudos História, Cidades e Trabalho, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História/Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia. O Objetivo foi promover uma avaliação do estado atual de estudos sobre a problemática da sociedade civil na sua relação com o Estado, em distintos espaços e temporalidades, aprofundando o intercâmbio de pesquisas e reflexões sobre a temática. Isto também significa abrir o necessário espaço para a compreensão sobre os significados dos embates atuais em torno de práticas intra e inter Estados no movimento mais amplo de mundialização do capital. Organizadas em uma conferência inaugural, mesas redondas, e Grupos de Trabalho, as pesquisas que foram apresentadas neste Simpósio deverão focalizaram, portanto, aspectos relacionados à sociedade, à política, à economia e à cultura relacionadas à disputas junto à sociedade civil (em seus diversos aparelhos privados de hegemonia), dentro do próprio aparelho de Estado, nas práticas inter-estatais e nos chamados “mercados mundiais”.
O professor Aleks Palitot teve a oportunidade de defender seu artigo científico do Mestrado (UNIR) com o tema voltado para o tema de desenvolvimento regional e sustentabilidade, sendo o título do artigo: “A ponte invisível do desenvolvimento: Guajará Mirim, a periferia da floresta”. O artigo aborda os aspectos históricos da ocupação da Amazônia e as políticas públicas para a localidade de Guajará Mirim. O mesmo artigo foi aprovado pela banca e foi publicado nos Anais do evento sob o registro n° ISSN: 2178-9843.

sábado, 25 de agosto de 2012

Expedição Guaporé Objetivo: Dez anos de Histórias e Aventuras


Ainda me recordo das aulas de história nos anos 80 na minha antiga escola Dr. Grangeiro. O Professor Jorge Guimarães se esforçava em tentar nos mostrar um desenho rabiscado no quadro negro com giz branco; uma planta baixa que formava o então Real Forte Príncipe da Beira. Na simplicidade do ato, no esforço de fato e na inspiração de sua aula, éramos convidados a viajar no tempo para lembrar o passado glorioso dos homens que enfrentaram a Amazônia para construir o maior forte do Brasil no coração da floresta. E com um coração batendo forte, o mestre, com recursos áudio visuais limitados, conseguia com muita emoção e vivacidade, fazer com que cada um dos seus alunos enxergassem aquela história, e entendessem a importância do patrimônio Histórico de Rondônia. Ali foi plantada a semente, e escolhi para minha vida, fazer o máximo para trilhar a história de Rondônia, levando a cada um dos meus alunos um pouco da nossa identidade.

1° Expedição Guaporé - 2002
A dez anos uma parte dessa semente germinou e nasceu uma árvore de memórias, que conta os momentos inesquecíveis que vivemos ao longo de tantas Expedições do Colégio Objetivo para Costa Marques no Guaporé. A primeira viagem em 17 de setembro de 2002 foi concretizada na base de muito sacrifício. Saímos em uma quinta-feira a noite as 21 horas e chegamos a nosso destino na sexta as 22 horas. Foram atoleiros intermináveis na BR 429, pneus furados e problemas mecânicos de toda hora, mas, mesmo com tantas dificuldades, aquela primeira turma de aventureiros liderados pelos Professores Ruzel Costa, Mônica, Laethy e Aleks Palitot, conseguiu chegar ao seu destino e puderam perceber, que se foi tão difícil chegar na localidade em pleno século XXI, imagina no século XVIII, onde os pioneiros e bandeirantes tinham obstáculos bem maiores e complexos. A recompensa de tamanha façanha foi contemplar o grande Forte Príncipe da Beira símbolo do Estado de Rondônia.
Comissão Rondon em 1911 no Forte Príncipe da Beira
Nesses dez anos de viagens, foram mais de 300 alunos que tiveram a oportunidade de conhecer a história, a geografia e a biologia bem de perto. Puderam conhecer a grande fortaleza da floresta, sua grandeza cultural e seu significado para nossa identidade. Ali uma verdadeira sala de aula a céu aberto, um convite a uma viagem no tempo, no lugar do templo histórico, palco de momentos que só vemos nas páginas dos livros de história ou em documentários. A cada aventureiro, a cada aluno, a cada aprendiz e cidadão de Rondônia foi deixado uma nova semente, que teve a real função de formar homens e mulheres amantes e defensores das nossas raízes.
Expedição Guaporé 2011 na comunidade do Forte Príncipe
Esse ano mais uma vez 33 alunos do Ensino Médio do Colégio Objetivo, das unidades Jardim América e Mangueiras vão partir no dia 29 de agosto para mais uma aventura. Homenageando a todos que à 10 anos participaram da primeira Expedição. Os professores Caio Lima de biologia, Sueli Ribeiro de geografia e Aleks Palitot de história, vão através desse projeto interdisciplinar, contribuir para o engrandecimento do conhecimento dos alunos do terceiro ano do Objetivo, onde os mesmos, terão a oportunidade de conhecer lugares como o Parque das Orquídeas e Lagoa Azul de propriedade do ativista ambiental Sr. Bernado. Poderão viver bem de perto não somente as ruínas do Forte Príncipe da Beira, mas também do Forte Conceição e da Fornalha. Além de aprender a história e a biologia em locu, vão se deslumbrar com o Rio Guaporé com suas praias e natureza exuberante. As atividades serão compromissadas também em conhecer as comunidades tradicionais, como os Quilombolas de Santa Fé, além claro, de visitarem a localidade de Buena Vista na Bolívia do outro lado do Rio Guaporé.
Expedição Guaporé 2003 - Em Buena Vista - Bolívia
O Resultado de tanto compromisso dos mestres (Sueli Ribeiro, Trindade, Ruzel Costa, Ivanor e Aleks Palitot), da direção da escola (Cidinha) e coordenação do Colégio Objetivo (Lenise Crespo, Estevana, Maria Lúcia e Isabel), traz como resultado a iniciativa de ex alunos do Colégio Objetivo, que hoje são médicos, enfermeiros, dentistas e atuam e outras áreas, a realizarem em 2013 o Projeto “Guaporé Sem Fronteiras”. Todos aqueles alunos que antes estavam dispostos a aprender sobre as realidades de Rondônia, e se formaram em parte na sua cidadania e valores, com o que viveram e observaram em Costa Marques, compartilhando das dificuldades do lugar, poderão agora contribuir retornando como cidadãos e profissionais, atuando em suas devidas áreas, partilhando de solidariedade e humanidade, levando um pouco de gratidão as comunidades tradicionais do Guaporé, com atendimentos médicos e odontológicos. Isso sim será algo a se comemorar, o fato e a capacidade que a escola Objetivo, e seu corpo docente, conseguiram contribuir para a formação do caráter de cada um daqueles que puderam conhecer a Amazônia de perto, o Vale do Guaporé. Os ex alunos irão retornar para dar aqueles que precisam, que vivem distantes dos grandes centros urbanos de Rondônia, um pouco de cidadania e humanidade. Cidadania poderia ser sinônimo de solidariedade! Mas se solidariedade não fosse palavra e sim ação? Solidariedade, fazer o bem não tem preço. Objetivo, as melhores cabeças, e os maiores corações!

Aleks Palitot
Historiador

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Divino Espírito Santo, a fé nas águas da Amazônia

A Festa do Divino tem sua origem em Portugal e foi estabelecida pela rainha Dª Isabel, casada com o Rei D. Diniz, por volta das primeiras décadas do século XIV. O Imperador do Divino gozava de direitos próprios de um soberano, libertando presos comuns em certas localidades portuguesas e brasileiras.
Para a organização da festividade havia a Folia do Divino, grupo de pessoas pedindo e recebendo auxílios de toda espécie. A folia constituía-se de músicos e cantores com a Bandeira do Divino, ilustrada com a pomba simbólica. Essas Folias percorriam grandes regiões, gastando semanas ou meses inteiros.

Em Rondônia, a Festa do Divino tem expressividade no Vale do Guaporé, onde a população ribeirinha procura manter viva a tradição do festejo. O Culto ao Divino foi introduzido no Guaporé, por volta de 1894, pelo Senhor Manoel Fernandes Coelho, quando de sua mudança de Vila Bela da Santíssima Trindade do Estado do Mato Grosso para a localidade de Ilhas das Flores. Naquele ano, o Senhor Manoel Fernandes fez vir, de Vila Bela, a Coroa de Prata e juntamente com outros adeptos, realizou os festejos do Divino naquela localidade. Todos os posteriores até o ano de 1932, o Divino foi festejado naquele local sendo então, os festejos transferidos para Rolim de Moura.
Atualmente a Festa vêm se realizando em sistema de rodízio, atingindo mais de trinta localidades dos Rios Guaporé e Mamoré tanto do lado brasileiro como do lado boliviano, sendo portando uma festa religiosa binacional. As localidades de Pedras Negras, Limoeiro, Costa Marques, Príncipe da Beira, Pimenteiras, Rolim de Moura, Guajará Mirim, Guayara, Buena Vista, Curralinho e Santa Fé, são algumas das tantas comunidades que festejam o Divino. O registro mais antigo sobre a realização dos festejos, data de 1936 e o Estatuto de criação da Irmandade do Divino Espírito Santo, no Guaporé, data de 1934. No entanto antigos moradores e descendentes dos primeiros organizadores dos festejos, afirmam que havia Ata da festa datada do século 19, em folha avulsa que foi extraviada durante período de sua paralização. Esse período ninguém soube precisar. Afirmam alguns que ocorreu após um desentendimento entre os membros da Irmandade, cujo Presidente guardião da Coroa, na época, descontentando-se, entregou à Prelazia de Guajará Mirim.
D. Francisco Xavier Rey, Bispo de Guajará Mirim, foi revitalizador da Festa, por volta de 1934-1936. Os festejos do Divino no Guaporé e Mamoré, têm seu início a partir do momento em que o Barco do Divino chega à localidade promotora da festa no ano anterior e o encarregado da Coroa recebe o Imperador do Divino da localidade, a Arca contendo a Coroa, a Bandeira, as Toalhas do Altar e os Livros de Ata. Isso ocorre após a quaresma, mais ou menos no período da Páscoa. Tradicionalmente, a saída do barco dava-se no sábado de aleluia. Hoje devido às inúmeras dificuldades que os peregrinos enfretam, não há rigidez, não há rigidez quanto à data de saída.
Após o encarregamento da Coroa receber a Arca, o Barco do Divino inicia sua peregrinação ao longo do Rio Guaporé, por quarenta dias até o final da festa, colhendo óbolos entre os ribeirinhos. O final da festa dá-se no dia de Pentecostes.
Anteriormente, a peregrinação era feita em barco movido a remos. Hoje, os peregrinos utilizam um pequeno motor emprestado de algum membro da Irmandade, para movimentar a embarcação até perto da localidade, quando, então, o motor é desligado e os remeiros iniciam remadas cadenciadas impulsionando o barco até o porto.
Ao aproximar-se de cada povoação, o Barco do Divino anuncia a sua chegada através de três salvas de Ronqueira (artefato confeccionado de madeira com um cano de ferro por onde é introduzido a pólvora), três buzinadas em chifres de bois, e, mais próximos, os remeiros entoam cânticos de chegada e fazem a “ Meia-Lua”, em frente ao porto, que consiste em três voltas circulares com o barco, antes de aportar. As remadas cadenciadas e os remeiros espargem água para o alto entre uma remada e outra. O caixeiro, inicia o toque do tarol.
À chegada do Barco do Divino, ocorre grande número de pessoas que extravasam sua fé, agradecendo as graças recebidas e pagando suas promessas. Uns, se prostam de joelhos percorrendo, dessa maneira, a distancia que separa o porto do local de “ morada” da Coroa. Outros e introduzem no rio, com água até a altura dos ombros, segurando velas acesas, rezando ou chorando. Todos eles acometidos de grande emoção.
Quanto o barco aporta, o Encarregado da Coroa sai do barco acompanhado dos foliões, do Mestre dos Foliões (que entoam os cânticos acompanhados de um violão), do Encarregado da Bandeira e os demais tripulantes. São recebidos pelo Imperador ou Imperatriz local. A Imperatriz recebe o Cetro de Prata, e o Imperador a Coroa, das mãos do Encarregado da Coroa. A partir de então, os fiéis ajoelham-se e beijam a Bandeira, o Centro e têm a Coroa posta em suas cabeças por breves instantes. É a benção do Divino, que todos recebem contritamente. As esmolas são, então, colocadas na bandeja de Prata que suporta a Coroa.
O cortejo dirigi-se, após, para a igreja da localidade por breve período, seguindo depois para o local onde dará a alvorada do Divino ou “Velório” (acontece durante todos os dias em que a Coroa fica na povoação). Esse costume é herança dos portugueses e ainda é conservado em seus aspectos tradicionais. Ao cair na noite, a Bandeira e a Coroa são recolhidas à casa onde o Santo está morando, e onde são rezadas as novenas e entoados cânticos.
As festividades são mantidas e preservadas a mais de cem anos em meio a grande floresta Amazônica. Em lugares distantes dos grandes centro hegemônicos e políticos de Rondônia e sem muito apoio de órgãos governamentais que busquem a preservação desse patrimônio imaterial representativo da cultura da Amazônia. A única festa religiosa do Divino que se realiza de maneira fluvial e sendo binacional, pois, envolve o Brasil e a Bolívia. A Festa do Divino é a prova não apenas da fé do homem da Amazônia, mas o sincretismo da cultura dos povos excluídos da floresta, onde nordestinos, índios, caboclos, ribeirinhos, seringueiros, quilombolas e bolivianos se agarram na esperança de dias melhores a partir da religião.

Aleks Palitot
Historiador

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Primeiro vôo em Porto Velho

Foi o CONDOR a primeira empresa de navegação aérea a operar para esta parte do Brasil. O primeiro vôo que pousou sobre as águas do Rio Madeira, nas barrancas da cidade de Porto Velho, foi o W – 34 “TAQUARI”, pilotado pelo Eng. Frederick Hoepken, de nacionalidade alemã, e pelo Major Basílio da Aeronáutica Militar do Brasil.
Representava esta empresa nesta cidade o comerciante Sizenando Souza, que, pouco depois, transferiu-se para a firma Bichara & Cia., constituída por Bichara Abidão, Nagib Bichara, José Bichara, Humberto Correia e Júlio Cezar Borges Cantuaria, ficando instalada num pequeno compartimento da rua Floriano Peixoto, onde no passado situa-se o armazén do Miguel Arcanjo Filho e o majestoso edifício da agência da antiga Varig-Cruzeiro do Sul, na rua Floriano Peixoto com José de Alencar. A rota inicial foi Rio-Porto Velho que, depois de várias considerações e estudos procedidos pelo Eng. Frederick Hoepken, foi até Rio Branco no então naquela época Território Federal do Acre.
Com aviões de pequena autonomia de vôo tiveram que estabelecer muitas escalas para completar sem riscos o intinerário e, por essa razão, foram obrigados a nomear agentes nas principais cidades da escala. Em Guajará Mirim foi nomeado e exerceu o cargo por longo tempo o Cel. Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha que, quando negociou a sua empresa de navegação, transferiu também a agência da Cruzeiro do Sul para os Serviços de Navegação do Guaporé.
Como na viagem tinham que atravessar regiões desabitadas, procurou a direção geral da empresa para instalar imediatamente estações de controle de vôo, sendo a primeira montada em Porto Velho um Winchaider Baiton de 250 com gônio e duas torres de 36 metros de altura que foram montadas e inicialmente operadas pelos mecânicos José Tavares e Machado, situadas numa casa de madeira pré-fabricada no Paraná no bairro Caiari.
Todos os tipos de avião da empresa foram largamente utilizados nesta região desde o tempo dos Junkers da Condor Sindikat que, com rompimento das relações do Brasil com a Alemanha, foi proibida de operar no País, e transferiu a responsabilidade da realização de suas linhas para serviços Aéreos Cruzeiro do Sul até os modernos e eficientes Boeings 737, que diariamente cruzam os céus de Rondônia. Também muitos pilotos transferidos da Condor passaram por Porto Velho, dentre eles Siranka, Rank, Law, Rottermundo, Castrup, Goulart, Mário Guide, Mascaranhas e Lins.
Duarante muito tempo, começando em 1945, a Cruzeiro do Sul operou nesta área com os Douglas DC-2 que numa viagem de Porto Velho ao Rio de Janeiro gastavam dois dias com pernoite em Corumbá.
Em 1949, mudou-se a eficiente aparelhagem de controle de vôo do bairro Caiari para o bairro do Km 1, no local onde era situado até 1999 o Selton Hotel – Porto Velho. Em 1969, lançaram os protótipos japoneses YS-11-A, cujo primeiro que aportou na cidade em 1970. Já em 1971, começaram a operar nesta área os potentes aparelhos Caravelle que encurtaram as distâncias e que, pouco tempo depois, foram substituídos pelos Boeings 737 de fabricação americana que operaram regularmente até o início do século 21 em Porto Velho.

Aleks Palitot
Historiador

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Seringueiros e Seringalistas

O termo seringueiro era, inicialmente, o único usado para designar todos aqueles que se dedicavam à exploração da Hervea, mas depois, sutilmente, aquele mais abastado que empregava os demais ou tinha qualquer domínio sobre eles, passou a ser denominado seringalista. Por ocasião da criação do Território era essa a atividade econômica predominante, senão a única, eis que todas as demais atividades extrativas eram feitas por esses profissionais, durante o período de entressafra da borracha, quais sejam: coleta da castanha-do-pará, óleos(pau-rosa e copaíba), couros e peles etc.
Muito se discute até hoje sobre a relação de trabalho entre seringueiros e seringalistas, pois o primeiro não era, verdadeiramente, um empregado do segundo. Podia ser considerado uma espécie de associado ou tarefeiro. Com efeito, o seringalista, embora pensasse ter a propriedade dos seringais, na verdade apenas os possuía, pois eram raros os títulos concedidos pelo Estado. A terra pertencia a quem chegasse primeiro ou fosse mais ousado. O limite era de respeito, isto é, ia até onde o vizinho concordasse. Ou, se não concordasse, até onde resistisse pela força à entrada do outro vizinho. Guardem o nome: limite de respeito.

Uma vez dominada a gleba, pela força, o seringalista tinha de conseguir abastecimento para os seus homens, durante vários meses de safra, o que não era fácil, pois importava no congelamento de capitais durante meses, sem maiores garantias que a honradez do aviado, ou seringalista. O credor era o comerciante abastado da praça de Manaus ou Belém, que a si denominava aviadores.

Entre o seringalista e o seringueiro formava-se um subcontrato do mesmo gênero, comprometendo-se o trabalhador a cortar seringa em uma das estradas do seringalista, e ao fim da safra, entregar-lhe a produção, por um determinado preço.
Dito assim, a coisa parece simples, mas na prática ocorriam espertezas de parte a parte. Nem sempre o seringueiro era a vítima perseguido pelo poderoso seringalista, pois muitas vezes tentava usar da esperteza para ludibria-lo, seja fugindo com os aviamentos para outro seringal, seja vendendo parte da borracha para os comerciantes avulsos que percorriam os seringais, e tinham regatões.

Também havia o expediente de colocar pedras e outros objetos pesados dentro das bolas ou pelas de borracha, para aumentar o peso,e , por conseqüência, o lucro desonesto, fato que, pela constância, chegou a depreciar a borracha brasileira nos mercados internacionais.
Os seringalistas, por sua vez, tinham meios de recrutar às espertezas dos seringueiros, seja diminuído o peso da mercadoria no ato do recebimento, seja através da cobrança de preços exagerados pelas mercadorias que só ele podia levar para o seringal, seja pelo aumento das cartas, cobrando artigos nos fornecidos.
Na verdade era uma negociação tortuosa, mas no fim, geralmente, se estendiam, sendo poucas as reclamações que iam até à política ou à justiça, para solução, mesmo por que as longas distancias tornavam quase impossível qualquer interferência do Estado nessas transações comerciais, onde fraude permanentemente era quase sempre bilateral

Aleks Palitot
Historiador